Fundamental
Caderno de resumo: em cada bloco há definição + exemplos, no estilo de quem já estudou gramática e PLN e quer revisar rápido. O núcleo é o que costuma aparecer em Processamento de Linguagem Natural (PLN/NLP) em português.
Aprenda rápido — resumo
Use este bloco para revisar em poucos minutos ou consultar na hora; as seções numeradas abaixo são a versão de caderno (mais completa).
| # | Tema | Em uma frase | No NLP |
|---|---|---|---|
| 1 | Morfologia | Como as palavras se formam e que “tipo” são (classes e flexões). | POS tagging, lematização, classificação de tokens. |
| 2 | Conjugação verbal | Tempos, modos e concordância com o sujeito. | Gerar/analisar formas verbais, corrigir nós vai. |
| 3 | Sintaxe | Quem faz o quê na frase (sujeito, objeto, complementos). | Parsing, dependências, extração de relações. |
| 4 | Concordância | Nominal e verbal batem entre si (gênero, número, pessoa). | Robustez a erros comuns de escrita. |
| 5 | Semântica | Sentido das palavras e frases; ambiguidade e sinonímia. | Embeddings, similaridade, desambiguação. |
| 6 | Pragmática | O que o enunciado faz no contexto (pedido, ironia…). | Intent detection, diálogo, assistentes. |
| 7 | Fala real | Informal, elipse, hesitação — não só a norma culta. | Dados reais de chat, ASR, robustez. |
| 8 | Avançado | Regência, colocação pronominal, voz ativa/passiva. | Análise fina, formalidade, reformulação. |
Classes gramaticais (memorização rápida)
- Substantivo → nomeia (casa, ideia).
- Verbo → ação/estado (correu, é).
- Adjetivo → qualifica o nome (rápida, verdes).
- Advérbio → circunstancia (bem, hoje, muito).
- Pronome → substitui ou determina (eu, aquilo, seu).
- Preposição → liga termos (de, em, para).
1. Morfologia (estrutura das palavras) — FUNDAMENTAL
Definição (caderno): morfologia estuda como a palavra se forma (radical + afixos) e de que classe ela é — base para etiquetar cada token corretamente.
Classes gramaticais (definição + exemplos)
- Substantivo — palavra que nomeia seres, objetos, lugares, ideias ou fenômenos (costuma responder a “quê?” / “quem?”). Exemplos: livro, professor, internet, Brasil, coragem.
- Verbo — palavra que indica ação, estado ou fenômeno; flexiona em tempo, modo, pessoa e número. Exemplos: correr, ser, chover, temos, fosse.
- Adjetivo — palavra que caracteriza o substantivo (qualidade, tamanho, forma etc.); concorda em gênero e número. Exemplos: alto, bonita, verdes, rápido.
- Advérbio — palavra que modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio (modo, tempo, lugar, intensidade…). Exemplos: bem, hoje, aqui, muito, devagar.
- Pronome — palavra que substitui ou acompanha o substantivo, evitando repetição ou indicando pessoa/coisa. Exemplos: eu, ela, isso, cujo, nossos.
- Preposição — palavra invariável que liga termos (tempo, lugar, modo, posse etc.). Exemplos: de, em, para, com, sobre.
Flexões (o que muda na palavra)
- Gênero — distinção masculino / feminino quando a língua marca isso (artigo, adjetivo, muitos substantivos). Exemplos: o menino / a menina; livro novo / casa nova.
- Número — singular (um) vs plural (mais de um). Exemplos: casa / casas; ele estuda / eles estudam.
- Pessoa — quem fala / com quem se fala / sobre quem se fala (1ª, 2ª, 3ª). Exemplos: eu falo, tu falas, ele fala (verbos); nós, vós, eles (pronomes).
- Tempo e modo verbal — quando e como o evento é visto (ver seção 2). Exemplo: falo (presente indicativo) vs falasse (pretérito subjuntivo).
Morfologia e NLP
- Classificação de tokens — cada palavra recebe uma classe (ou várias em caso ambíguo); isso alimenta regras e modelos.
- POS tagging (Part-of-Speech) — etiqueta automática de classe gramatical (livro → NOUN, correu → VERB).
- Lematização — reduzir à forma de dicionário: correndo → correr, boas → bom (com regras de gênero/número na análise).
2. Conjugação verbal — CRÍTICO
Definição (caderno): conjugação é mudar o verbo conforme tempo, modo, pessoa e número — essencial para análise e geração de texto em português.
Tempos verbais (ideia + exemplos)
- Presente — situação agora ou habitual. Exemplos: Eu estudo todo dia. Eles moram aqui.
- Pretérito — evento passado (vários subtipos: perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito…). Exemplos: Fui à escola. Estudava à noite. Já tinha lido.
- Futuro — evento depois ou suposição. Exemplos: Estudarei amanhã. Deve chover.
Modos verbais (ideia + exemplos)
- Indicativo — o falante apresenta o processo como real, certo ou provável. Exemplos: Ela trabalha. Choveu.
- Subjuntivo — dúvida, desejo, condição, emoção, negação (muito frequente em português). Exemplos: Talvez ele venha. É importante que estudes. Não acho que seja fácil.
- Imperativo — ordem, conselho, pedido. Exemplos: Fecha a porta. Olhem para o quadro.
Concordância verbal (regra + exemplos)
Definição: o verbo flexiona para combinar com o número e a pessoa do sujeito.
- Correto: Nós vamos. Errado (muito comum na fala): Nós vai.
- Correto: As crianças brincam. Errado: As crianças brinca.
Verbos irregulares (por que doem)
Definição: não seguem o padrão previsível de sufixos; cada um tem mudanças próprias na raiz ou terminação.
- Exemplos de alta frequência: ser (sou, foi, sejam), ir (vou, forem), ter (tem, tiveram), estar (está, estivemos).
Perífrases verbais (definição + exemplos)
Definição: construção com verbo auxiliar + outro verbo (gerúndio, infinitivo ou particípio) para expressar tempo/aspecto.
- Exemplos: vou fazer (futuro próximo); estava comendo (progressivo no passado); tenho feito (resultado até o presente); deve sair (dedução).
Conjugação e NLP
Corretores, conjugadores, chatbots e anotadores precisam prever a forma certa ou reconhecer erro (nós vai, eles foi) em dados reais.
3. Sintaxe (estrutura da frase) — ESSENCIAL
Definição (caderno): sintaxe estuda como palavras se organizam na frase — quem é o “sujeito” da ação, o que é complemento, etc.
Sujeito (tipos + exemplos)
- Sujeito simples — um núcleo (um substantivo ou pronome). Exemplo: O gato dormiu.
- Sujeito composto — dois ou mais núcleos ligados. Exemplo: Pedro e Maria viajaram.
- Sujeito oculto (elíptico) — não aparece, mas se entende pelo verbo ou contexto. Exemplo: Corre muito rápido. (entende-se ele/ela); Vamos? → sujeito nós.
Predicado (definição + exemplos)
Definição: tudo que se declara sobre o sujeito — em especial o verbo e seus complementos.
- Exemplo: Os alunos fizeram a prova com calma. — núcleo verbal fizeram + complementos.
Objeto direto e indireto (definição + exemplos)
- Objeto direto (OD) — quem ou o quê sofre a ação sem preposição obrigatória (em português, muitas vezes com a/o/as/os). Exemplo: Comi o bolo. / Vi ela. (registro informal)
- Objeto indireto (OI) — complemento ligado por preposição (frequentemente a). Exemplo: Obedeço ao professor. Dou presente à mãe.
Complementos e adjuntos (ideia + exemplos)
- Complemento nominal — completa nome (substantivo, adjetivo); costuma vir com preposição. Exemplo: medo de altura, útil para o trabalho.
- Adjunto adverbial — informa circunstância (lugar, tempo, modo…). Exemplo: Cheguei ontem. Estudei em casa.
Sintaxe e NLP
Parsing (árvore sintática ou dependências), extração de relações (quem fez o quê a quem) e intenção costumam usar papéis sintáticos (sujeito, objeto).
4. Concordância (verbal e nominal)
Definição (caderno): concordância é harmonizar palavras na frase (mesmo gênero, número, pessoa) segundo a norma.
Concordância nominal (definição + exemplos)
Definição: substantivo e palavras que o acompanham (artigo, adjetivo, pronome…) concordam em gênero e número.
- Exemplo: As crianças bonitas sorriram. (as, bonitas ↔ crianças)
Concordância verbal (definição + exemplos)
Definição: o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.
- Exemplo: As crianças foram ao parque. (foram ↔ crianças)
Problema real em NLP (erros típicos)
Quem escreve rápido ou fala informal erra muito — e o sistema precisa lidar com isso:
- Errado: Nós vai. / As pessoa fala.
- Correto: Nós vamos. / As pessoas falam.
O que o modelo pode fazer
- Corrigir (corretor ortográfico / gramatical).
- Entender mesmo com erro (classificador robusto, busca tolerante a falha).
5. Semântica (significado) — NÍVEL MAIS ALTO
Definição (caderno): semântica trata do significado — o que palavras e frases representam no mundo ou na cabeça das pessoas.
Polissemia (definição + exemplos)
Definição: mesma palavra, vários sentidos relacionados ou não.
- Exemplo: banco = instituição financeira ou assento; cabeça = parte do corpo ou líder de equipe (gíria).
Sinonímia (definição + exemplos)
Definição: duas ou mais palavras com sentido parecido (nunca 100% idêntico em todos os contextos).
- Exemplo: casa / lar / residência; bonito / lindo.
Ambiguidade (definição + exemplos)
Definição: uma frase (ou palavra) admite mais de uma interpretação sem mais contexto.
- Exemplo: Vi o menino com o telescópio — quem tinha o telescópio?
Uso em NLP
- Embeddings — vetores que capturam proximidade de sentido.
- Similaridade semântica — medir se dois textos “querem dizer” coisas parecidas.
- Chatbots e busca — precisam de contexto para desambiguar (polissemia, correferência).
6. Pragmática (intenção do usuário)
Definição (caderno): pragmática estuda o uso da linguagem em situação real — o que o enunciado faz (pedir, prometer, ironizar), não só o significado literal.
Ato de fala (ideia + exemplos)
Definição: além do sentido das palavras, o falante realiza uma ação com a fala.
- Exemplo clássico: Você pode fechar a janela? — em contexto, não é “pergunta de informação”, é pedido ou ordem educada.
Outros exemplos rápidos
- Tá bom, genial… — pode ser elogio ou ironia (depende do tom e contexto).
- Se você abrir esse e-mail… — pode ser ameaça ou condição em manual.
Em NLP
- Intent detection — classificar intenção (comprar, reclamar, agendar).
- Assistentes virtuais — precisam da intenção, não só das palavras soltas.
7. Estruturas reais da fala (português do mundo real)
Definição (caderno): fora do livro didático, o português vem com variação, corte de palavras e ruído — quem faz PLN com dados reais precisa esperar isso.
Português informal (exemplos + nota)
- Exemplos: nós vai; tu vai (em regiões); mó legal; pra em vez de para.
- Nota: pode ser marca social/regional, não só “erro” — depende do produto (corrigir vs. respeitar).
Elipse (definição + exemplos)
Definição: omitir termo que o ouvinte preenche mentalmente.
- Exemplo: Quer água? — sujeito você omitido; Indo pra casa. — sujeito + verbo omitidos (Estou indo…).
Frases quebradas e hesitações (exemplos)
- Exemplos: Eu… tipo… não sei. — pausas e marcadores discursivos (tipo, né, sabe).
- Efeito no NLP: transcrições (ASR) e chats trazem fragmentação; modelos “de livro” falham mais aqui.
Por que isso importa?
- Modelos treinados só em texto formal quebram em WhatsApp, Twitter, fala espontânea.
- Usuários reais falam e escrevem assim — o pipeline precisa de robustez ou normalização consciente.
8. Coisas avançadas (diferencial)
Definição (caderno): tópicos que aparecem em análise fina, redação formal e em sistemas que reformulam ou explicam a frase.
Regência verbal (definição + exemplos)
Definição: certos verbos exigem preposição específica antes do complemento.
- Exemplos: gostar de algo; assistir a um filme; pensar em alguém; obedecer à regra.
Colocação pronominal (definição + exemplos)
Definição: onde o pronome átono (me, te, se, o, a, nos…) aparece em relação ao verbo — regras diferentes no falado e no formal.
- Exemplos (informal / oral): Me dá um copo d’água?
- Exemplos (formal / enclise): Dá-me a mão. / Fiz-lhe um favor. (menos usual no BR coloquial)
Voz verbal (definição + exemplos)
Definição: ativa — o sujeito pratica a ação; passiva — o sujeito sofre a ação.
- Ativa: João comeu o bolo.
- Passiva analítica: O bolo foi comido por João.
- Uso em NLP: reformulação, simplificação de texto, extração de “quem fez o quê”.